Não quero comer!
Não quero dormir!
Não empresto os meus brinquedos!
Não quero ir para a escola!
Não! Não e Não!!!!
Um filho ou um aluno obediente: o sonho de qualquer pai ou educador…
Hoje em dia com o ritmo de vida a que somos obrigados a viver, a questão da paciência, da tolerância, do nunca estar suficientemente presente e o estar demasiado presente, a imposição de limites, surge a urgência em alterar a paternidade de forma a que esta se enquadre nos tempos em mudança para e educação das nossas crianças.
Começamos então a ver autênticos truques de malabarismo , com a preocupação de fazer não o que é tolerável mas o que é humanamente possível fazer.
A relação da escola com a família pressupõe uma equipa com objectivos comuns, com princípios e com critérios, para que sejam transformados de uma vez por todas os valores em que regemos e estas condições têm que forçosamente ser melhoradas, para que ambos se reconheçam como agentes activos e não se transformem em peões passivos.
Uma família e um professor demasiado tolerantes, permissivos e até demasiado compreensivos em nada favorecem a forma como cada criança desenvolverá a sua personalidade e sua educação fica negligenciada. O facto de sermos compreensivos, tolerantes e até mesmo permissivos em nada impede os pais ou professores de se imporem aos seus filhos/alunos e de exercerem a sua autoridade, muito pelo contrário ,reafirmará o respeito dedicado, que sabem escutar as suas opiniões, o que aumentará as hipóteses de serem obedecidos na hora de se fazer uma exigência.
Chega de termos a escola e a família de costas voltadas, afinal todos nos movemos num objectivo comum e esta constante desautorização em nada favorece o percurso e a formação pessoal e social daqueles que serão os futuros homens e mulheres de amanhã.
Torna-se urgente aceitar a nossa posição de adultos e abdicarmos do trono onde cada um à sua maneira se sente todo poderoso – as crianças não gostam e não se relacionam muito bem com reis e rainhas que foram depostos como com um adulto.
O narcisismo parental foi ferido e tornar-se-á mais útil descobrir a melhor forma de o sarar e de nos questionarmos sobre as atitudes que temos com os nossos filhos e que outras hipóteses temos ao nosso alcance, para que as nossas crianças se tornem adultos respeitados e respeitadores.
Por isso uma sugestão – em conjunto:
VAMOS DAR UMA GRANDE SALVA DE PALMAS ÁS NOSSAS CRIANÇAS!
Eu quero… Eu posso… Eu mando!!! 5 comments
Apenas brincando… 2 comments
“Quando estou a construir com blocos no quarto de brinquedos,
por favor, não digas que estou apenas a brincar.
Porque enquanto brinco estou a aprender
sobre equilibrio e formas.
Quando me estou a fantasiar,
a arrumar a mesa e a cuidar das bonecas,
por favor, não fiques com a ideia que estou apenas a brincar.
Porque enquanto brinco estou a aprender.
Eu posso ser mãe ou pai algum dia.
Quando estou pintado até aos cotovelos,
ou de pé diante do cavalete ou a modelar plasticina,
por favor, não me deixes ouvir-te dizer: está apenas a brincar.
Porque enquanto brinco estou a aprender.
Estou a expressar-me e a criar.
Eu posso ser um artista ou um inventor algum dia.
Quando me vires sentado numa cadeira
a ler para uma plateia imaginária,
por favor, não rias e penses que eu estou apenas a brincar
porque enquanto brinco estou a aprender.
Eu posso ser um professor algum dia.
Quando me vires a procurar insectos nos arbustos,
ou a encher os meus bolsos com todas as coisas que encontro,
não digas que estou apenas a brincar
porque enquanto brinco estou a aprender.
Eu posso ser um cientista algum dia.
Quando estou entretido com um quebra-cabeças,
ou com um algum brinquedo na minha escola,
por favor, não sintas que é um tempo perdido com brincadeiras
porque enquanto brinco estou a aprender
estou a aprender a concentrar-me e a resolver problemas.
Eu posso estar numa empresa algum dia.
Quando me vires a cozinhar ou a experimentar alimentos,
por favor, não penses que porque me divirto, é apenas uma brincadeira.
Eu estou a aprender a seguir instruções e a perceber diferenças.
Eu posso ser um “chef” algum dia.
Quando me vires a aprender a pular, saltar,
correr e movimentar o meu corpo,
por favor, não digas que estou apenas a brincar
eu estou a aprender como o meu corpo funciona.
Eu posso ser um médico, enfermeiro ou um atleta algum dia.
Quando me perguntas o que eu fiz na escola hoje,
e eu digo: eu brinquei,
por favor, não me entendas mal.
Porque enquanto eu brinco estou a aprender.
Estou a aprender a ter prazer e a ser bem sucedido no trabalho.
Eu estou a preparar-me para amanhã.
Hoje, eu sou uma criança e o meu trabalho é brincar.”
(Anita Wadley)